Para homens

Mulheres também gostam de olhar

CASAL-SENSUALTodo mundo já ouviu ou leu alguma vez na vida a teoria de que as mulheres são mais auditivas, às vezes até olfativas, enquanto os homens são mais visuais. Incrivelmente essa falácia continua se propagando até os dias de hoje.

Nem gosto dessa história de dividir preferências por gênero, mas esse é um mito tão enraizado que merece ser combatido. As mulheres também sentem prazer em olhar imagens eróticas, corpos despidos e sacanagens diversas. O sentido da visão tem conexão direta com a excitação, mais do que algumas ainda recatadas e pouco acostumadas a esse estímulo podem imaginar.

Admirar a beleza de um pênis ereto é um ato de libertação. Já se deparar com uma cueca furada é um corta-tesão maior do que muitos homens supõem.

Mas de onde surgiu essa balela?

Parte da resposta está em um dos estudos do doutor Kinsey, figura importantíssima na área de sexualidade humana, que infelizmente deu umas pisadas de bola nos seus métodos de pesquisa, contestados atualmente por outros investigadores do assunto.

Em um estudo de 1953, Kinsey publicou que as mulheres não reagiam tanto quanto os homens ao ver imagens eróticas. O problema é que as entrevistadas respondiam por escrito se estavam ou não excitadas com o que viam. E existe uma grande diferença entre o que as pessoas sentem e o que dizem que sentem. Essa foi uma das fontes que contribuiu para o mito de que as mulheres não são visuais.

Valores históricos culturais também não ajudaram a derrubar essa crença. As meninas nunca foram muito estimuladas a apreciar a beleza do corpo masculino. Pornografia sempre foi coisa de homem. Para a imaginação feminina, sobraram os romances e filmes água-com-açúcar. Em um contexto machista desses, como saber que os olhos também são uma janela para o prazer?

Felizmente, com a internet e o acesso discreto a putarias e estímulos eróticos para os mais variados olhares, muitas mulheres estão descobrindo outras potencialidades da visão.

A ciência também tem avançado em estudos que contrariam a (in)sabedoria popular. Em uma pesquisa da Washington University, a partir da atividade das ondas cerebrais, a resposta elétrica das mulheres (medidas pelos eletrodos) quando expostas a imagens eróticas foi tão forte quanto a dos homens, contrariando até a expectativa dos próprios cientistas que esperavam reações menos intensas, com base na velha premissa de que a macharada é mais visual.

Pelo direito de ver um pau duro

Apesar dos avanços e de toda a emancipação feminina conquistada, a caixa de entrada do meu e-mail continua vazia de fotos de homens pelados e carente de novidades do mundo da sacanagem. Minhas amigas não compartilham esse tipo de conteúdo. Também ainda existem poucos sites e publicações com nu, erotismo e pornografia direcionados ao público feminino em comparação ao universo masculino.

Por ainda exercitar pouco o olhar, talvez as mulheres não tenham desenvolvido o hábito ou o prazer de consumir esses conteúdos. Várias iniciativas nesse setor, infelizmente, fracassaram. Lá pelos anos 2000, existiu no Brasil uma revista chamada Íntima & Pessoal, que trazia ensaios com homens nus. Até alguns famosos participaram, como o ator Humberto Martins, com seu peru livre, leve e solto.

Quando a publicação tentou dar um passo além, mostrando uma ereção, as próprias leitoras chiaram e mais uma vez o velho clichê de que as mulheres só gostam de ver imagens sensuais, sem nudez explícita, prevaleceu e a revista voltou atrás, focando em bumbuns, ombros e peitos.

A Íntima teve vida curta e logo saiu de circulação.

A norte-americana Playgirl, uma das pioneiras, fundada em 1973, não é mais impressa desde 2010, mantém apenas um site no ar. De qualquer forma, o público da revista sempre foi predominantemente gay, reforçando o estereótipo de que mulher não curte peladões.

Até a revista inglesa Filament, que surgiu em 2009 com um projeto super bacana, voltado especificamente para o olhar feminino, com fotógrafas e editoras mulheres, para trazer um material que realmente apetecesse a mulherada, saiu de cena em 2011. Antes disso, a Filament, que também combate a ideia de que mulheres não são visuais, protagonizou uma campanha pelo direito de exibir um pau duro em suas páginas.

As gráficas se recusaram a imprimir o exemplar da revista que traria um pênis em seu estado de máximo vigor. Com ajuda das leitoras, a Filament conseguiu executar a proeza e levantar um debate acalorado sobre o tema nos jornais britânicos. Mesmo depois de todo esse esforço, a publicação interrompeu suas atividades, segundo a explicação do editor no site, por motivos pessoais e não pela inviabilidade comercial do projeto.

É difícil acreditar que em pleno século 21, com bucetas e peitos expostos por toda parte, um membro masculino em estado de alerta cause tanto alvoroço. Mas a verdade é que muitas mulheres não se sentem confortáveis para admirar uma ereção.

O corpo masculino em sua plenitude e beleza ainda permanece como tabu. Eu mesma, apesar de toda safadeza conquistada ao longo dos anos com muito suor, demorei para conseguir encarar um pau. Até essa palavra era incômoda para mim e só saiu dos meus lábios depois de muito tempo de prática.

Nos primórdios da minha vida sexual, não ousava descer os olhos até o dito-cujo.Como uma cega inábil, ficava tateando até tocá-lo. Quando comecei a me desenvolver na arte do boquete, fechava os olhos. Foi um trabalho árduo aprender a contemplar e admirar um pau em toda sua anatomia antigravidade, com seus sulcos, suas veias saltadas, cores e texturas variadas.

Homens: ajudem as mulheres a abrir os olhos

As mulheres que mantêm os olhos fechados ou as luzes apagadas não imaginam quantas sensações estão desperdiçando. A excitação é um processo complexo e particular que envolve múltiplos sentidos, em diferentes graus de importância para cada pessoa e até para cada momento. Não quero supervalorizar a visão, entretanto negligenciá-la é fechar uma porta importante.

Os homens já estão naturalmente mais treinados no uso deste sentido e podem ajudar as mulheres a explorar melhor as potencialidades do olhar. Talvez aprendendo a admirar outros corpos e outras cenas, finalmente, as mulheres entendam o valor de uma Playboy e o gosto dos homens pela pornografia.

É um ganha-ganha.

O estímulo pela visão ajuda (e muito) a incitar a libido, a aumentar a vontade por sexo. É um antídoto poderoso contra a falta de tesão.

O problema é que o olhar feminino tem seus próprios caminhos para a excitação e ainda há, depois das tentativas frustradas do passado recente, pouco conteúdo criado especificamente para agradá-lo. Mas esse cenário está começando a mudar.

Já existem até cineastas fazendo pornôs para mulheres. Quanto mais a mulherada descobrir como é bom gozar também com os olhos, mais opções irão surgir. Enquanto isso resta às mulheres experimentar, exercitar o olhar livremente, descobrir a ligação entre a visão e o prazer, perceber o que uma imagem é capaz de despertar.

Admirar a bunda de homem já é alguma coisa, mas é possível ir além, muito além, derrubar velhos estereótipos que até a ciência está refutando para desfrutar plenamente da capacidade visual erótica que existe em toda mulher.

De olhos bem abertos é ainda mais gostoso.

Fonte: www.papodehomem.com.br

 

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